A nossa (P)arte

Uma oficina de Expressão Artístico-Criativa mensal para grupos de seniores, por João Sá.

Ao longo do ano 2025 realizaram-se oficinas mensais – com públicos diferenciados - que visaram a produção de material a partir do qual foi criado um painel coletivo. O objetivo seria reunir diferentes perspetivas sobre a Arte-Xávega, uma prática tradicional de pesca artesanal que faz parte do património cultural da comunidade espinhense.
Cada elemento acrescentado ao painel representa uma peça do conhecimento coletivo, mostrando que compreender a Arte-Xávega é também compreender a ligação das pessoas ao mar e ao trabalho comunitário. A Arte-Xávega é mais do que uma técnica de pesca, é uma forma de vida, uma tradição passada entre gerações, um símbolo da identidade local. 
O trabalho colaborativo reforça a ideia de que preservar esta memória é uma responsabilidade de todos. É estimular a partilha de histórias, memórias e saberes dos participantes.  

Como foi construído: 
O painel é o resultado da colaboração de grupos seniores de diferentes instituições locais, que contribuíram com desenhos, colagens, ilustrações dos barcos dos pescadores, das casas que compunham os antigos bairros piscatórios, a praia de Espinho, relatos pessoais relacionados com o mar, a pesca ou a vida na comunidade, orientadas pelo artista plástico João Sá.
A experiência e vivências de cada um deram ao painel um caráter especial, permitindo unir conhecimento, memória e criatividade. Incentivar a expressão criativa e promover a valorização desta tradição.

Instituições Participantes: 
Santa Casa da Misericórdia de Espinho
Centro Social de Paramos
ERPI São Francisco de Assis
Centro Social de Silvalde
ADCE


JOÃO SÁ, 1970
Sempre me interessou a fronteira entre as Artes - o espaço despenteado entre elas. Fui vivendo a agarrar tudo o que é curso e workshop: de escultura a manipulação de objetos; de teatro, marionetas, clown ou  danças... Para fazer! Fazer sempre muito! Mas sempre ao lado... Sempre fora desta ou daquela gaveta.
Ao nível da expressão plástica cedo me apaixonei pela pasta de papel: material com cheiro a brinquedo, teatro, circo e feira popular.
No início da minha trajetória profissional, percorri as principais mostras de artesanato do país com fantoches e mobiles de um traço muito pessoal. Rapidamente estes pequenos objetos aumentaram de tamanho transformando-se em grandes esculturas policromáticas em pasta de papel - figuras dançantes, voadoras. Com elas fiz algumas exposições: Salpoente em Aveiro (1995); "Beijos e Gaiolas", Espaço LabMed no Porto (2000); Galeria Artésis em Vila Nova de Gaia (2002); Convento Corpus Christi em Vila Nova de Gaia (2011).

No campo artístico fascina-me também outras rupturas. Das fronteiras entre artista e público; entre diferentes campos das artes e do humano. Assim, em anos mais recentes fui criando, e co-criando - em parceria com outros profissionais -, uma série de exposições, performances e oficinas em que o público mergulha no jogo criativo, artístico e de relação humana. Podemos tomar como exemplo as exposições: "É proibido NÃO mexer nos objectos expostos" Cooperativa Árvore, Porto; "Máquinas Pictorioactivas” e "Padrões Caóticos”, Fundação Serralves, Porto; "Mandalas Comestíveis" (Quintal Bioshop, escolas de ensino básico e secundário), "Eco Arte" (Espaço Boa 566, Porto; ESMAE/UP, Porto; Teatro LaMarmita, Vila Nova de Gaia), "TerrABRAÇO" (Teatro Latino, Porto; Teatro LaMarmita, Vila Nova de Gaia).
Cedo fui convidado a criar oficinas criativas. Tenho trabalhado com todos, TODOS os públicos e com projetos e instituições múltiplas: Ginasiano, escola de dança, Fundação de Serralves, Quinta da Bonjóia, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Câmara Municipal de Espinho,entre muitas outras.
Atualmente, colaboro criativamente e de forma regular com a Casa dos Choupos - cooperativa multissectorial de solidariedade social (Santa Maria da Feira), Associação de Moradores de Massarelos (Porto), Ginasiano - escola de dança (Vila Nova de Gaia), Museu da Marioneta (Lisboa) e Lafontana, formas animadas (Vila do Conde).